Candido Portinari – Biografia resumida

Meninos Brincando. Candido Portinari. 1955

Candido Portinari nasceu na cidade de Brodowski, interior de São Paulo, no dia 29 de dezembro de 1903. Seus pais eram imigrantes italianos, que quando vieram para o Brasil foram trabalhar em uma fazenda na lavoura de café, esperavam melhorar de vida.

Aos nove anos, Candinho como era chamado já mostrou seu interesse por arte, era auxiliar na pintura de igrejas da cidade e região.

A sua infância está retratada nas pinturas de seu universo infantil com recordações de um menino  simples, que gostava de jogar futebol, nas brincadeiras com pião, balanço e de nadar nos rios com seus amigos.

Com seu talento prematuro de desenhista, seus colegas lhe pediam que ilustrasse seus cadernos e cartazes nos trabalhos de escola.

A lembrança dos circos estão muito presentes também em sua obra, ele adorava quando chegava um novo circo em sua cidade. Muitas de suas obras retratam palhaços, malabaristas e o próprio circo. Mais tarde, o artista comentou: “Sentia-me feliz quando chegava um circo. Nos encontraríamos mais tarde… O tempo deixava pequena lembrança,
Até a chegada de outro circo…”

Circo. Candido Portinari. 1958 – Óleo sobre tela (81 x 64cm)

O Circo era para ele como uma de suas riquezas mais preciosas, guardadas nas memórias, eternizadas em suas obras; pintou esse cenário lúdico, brincalhão, delicioso e saudoso algumas vezes, em anos distintos. Estava vivo dentro de seu coração de menino. Esse lugar mágico, onde o riso se faz presente: nas brincadeiras dos palhaços, nos trapezistas que atravessam os ares, no mágico e sua cartola … permeado de doçuras, de alegria, nas cores, nos gestos, nos sabores, nos sons… tão presentes nas obras de Portinari.

O Circo em Brodowski. Candido Portinari. 1933

Portinari confessou que pintar a sua terra, e sua  gente, era uma necessidade, das coisas que faziam parte de suas lembranças da sua vida em Brodowski, assim como podemos observar na pintura Baile da Roça ..

Baile na Roça. Candido Portinari. 1923

‘O Palaninho’ – um amigo de infância – e sua família são de Brodowski, uma gente simples e típica da roça. Foram reavivados por Portinari no exterior, quando o pintor estava em meio a museus, castelos e gente aristocrática, morando na Itália.  As lembranças da infância revelam a alegria do menino: as crianças e suas brincadeiras e a paisagem da terra natal. A pintura, ainda um pouco ingênua e impregnada de inocência, revelava uma intensa busca pelo real.

Quando criança, o artista era muito curioso, impressionava-se com os retirantes nordestinos, que chegavam a cidade procurando emprego. Eram pessoas famintas e sofridas. Desde pequeno ficava observando essas pessoas por muito tempo. Dessa observação surgiu a série de pinturas “Os Retirantes”, onde Portinari expressava a dor e o sofrimento dos retirantes e exagerava ao retratar o sofrimento e a tristeza das pessoas.

Retrato de Maria Victoria Martinelli esposa de Candido Portinari, por Portinari

Aos 15 Anos foi estudar no Rio de Janeiro, incentivado pela família que percebia seu grande talento para a pintura. Trabalhou e estudou bastante. Algum tempo depois ganhou uma viagem de estudos à Europa. Conheceu Maria Martinelli em 1930, jovem uruguaia de 19 anos, radicada com a família em Paris, se casou com ela  e viveu por toda a sua vida. Na França, Portinari sentia saudades de Brodósqui e, ao voltar ao Brasil, fez várias obras pintando sua terra e sua gente.

Portinari fez uma exposição individual no Palace Hotel do RJ em 1932 exibindo obras que retratam cenas da infância, circo e cirandas. Pintou Os Lavradores de Café, que ele conhecia tão bem desde a infância. Exagerava nos tamanho dos pés e das mãos com o intuito de mostrar o quanto trabalhavam nas lavouras.

Sua pintura mais importante intitulada simplesmente  Café , recebeu Menção Honrosa no exterior onde fez muito sucesso. Ela é responsável em promover sua carreira de muralista e de projetá-lo no cenário das artes internacionais.

A rica composição apresenta uma cena de cultura de café, com os trabalhadores homens e mulheres que são representados em diferentes planos em sua lida, colhendo, limpando, carregando grãos, ensacando e transportando. Sobre a obra, escreveu:  Saí das águas do mar e nasci no cafezal de Terra roxa. Passei a infância no meu povoado arenoso.

Café. Candido Portinari. 1935 -Óleo sobre tela (130×195 cm) – Localização: Acervo do Museu Nacional de Belas Artes, RJ

Portinari pintou seu primeiro mural em 1936, para o monumento rodoviário da Estrada Rio/São Paulo, medindo 1m x 8m. A partir daí executou inúmeros painéis por todo o Brasil e série “Via Sacra”, na Igreja da Pampulha em Belo Horizonte, painéis enormes e maravilhosos. Em 1951 participou da 1ª Bienal de São Paulo.

Igreja São Francisco. Pampulha. Belo Horizonte

CAPELA DA NONNA

Construída em 1941 em um cômodo nos jardins da residência em Brodowski, Portinari presenteou sua avó que já não conseguia mais se locomover para assistir a missa e fazer suas orações na igreja da cidade.
Na Capela da Nonna, Portinari representou os santos preferidos de sua avó, onde seus familiares foram utilizados como modelo.

Capela da Nonna. Museu Casa Portinari, Brodowski – SP

PINTURAS HISTÓRICAS 

Primeira Missa no Brasil – O painel de Portinari que representa a primeira missa no Brasil, foi realizado através de uma encomenda ao artista por Thomaz Oscar Pinto da Cunha, o terceiro Barão de Saavedra para compor o prédio que havia terminado de ser construído e projetado por Oscar Niemeyer em 1946, para funcionar a sede do Banco Boavista no Rio de Janeiro. a missa celebrada em 26 de abril de 1500, quatro dias depois o Descobrimento do Brasil, foi interpretada como uma recriação da celebre obra do artista acadêmico Vitor Meireles, pintada em 1859, quase depois de um século. com a visão cubista de Portinari.

Primeira Missa no Brasil. Candido Portinari. 1948 – Localização: Museu Nacional de Belas Artes, Rio de Janeiro

Descobrimento do Brasil – Essas obras fazem parte de uma série de painéis realizados por Portinari nas década de 1950 intitulada “Cenas Brasileiras”. Foi uma encomenda de Assis Chateaubriand ao artista.

Descobrimento do Brasil. Candido Portinari. 1954
Descobrimento do Brasil. Candido Portinari. 1956

Uma de suas obras mais importantes é um imenso painel de Portinari dedicado ao mártir Tiradentes. Ele é composto por três telas justapostas e mede 17,70 por 3,09 metros. Foi concluído em 1949 e está localizado no Memorial da América Latina no Salão de Atos, em São Paulo.

Painel Tiradentes. Candido Portinari. Memorial da América Latina. 1949

FALECIMENTO – LEGADO 

Portinari faleceu no dia 06 de fevereiro de 1962, no Rio de Janeiro, intoxicado pelas tintas que tanto utilizou. Deixou inúmeras obras retratando o Brasil não só para os brasileiros, mas para o mundo todo.

Candido Portinari é considerado um dos artistas mais prestigiados do Brasil e foi o pintor brasileiro a alcançar maior projeção internacional.

Portinari e sua obra

Embora tenha vivido apenas 59 anos, o pintor produziu bastante: mais de cinco mil telas, desenhos e murais. Com a mesma desenvoltura pintou temas sociais, sobretudo ligados ao trabalhador rural, painéis históricos, cenas épicas, lavadeiras, crianças brincando e carneirinhos..

ALGUMAS OBRAS DE PORTINARI QUE RETRATAM O UNIVERSO INFANTIL

Futebol. Candido Portinari. 1935
Brodowsky, Candido Portinari. 1942
Menino com Pião. Candido Portinari. 1947
Menino e o Carneiro. Candido Portinari. 1954
Cambalhota. Candido Portinari. 1958
Meninos no Balanço. Candido Portinari. 1960
Presépio. Candido Portinari.  1960
Natália com Palhacinhos. Candido Portinari

Ao pintar essa “Festa de São João“, Portinari criou uma composição toda trabalhada com triângulos em tons de rosa, para homenagear São Pedro e a fogueira quadrada sendo montada ao estilo de Santo Antônio. Temos aqui os três santos católicos populares sendo festejados em uma única obra por esse artista genial.

Festa de São João. Candido Portinari. 1958

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“Acredito que a Arte está em tudo no que nos rodeia, basta um olhar sensível para apreciar e usufruir das diferentes manifestações artísticas. A Arte é a grande e bela ilustração da vida.”

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