Heitor Villa-Lobos

Heitor Villa-Lobos em 1922

O compositor brasileiro Villa-Lobos  foi o mais prolífico e original dos músicos clássicos durante o século XX. Ele foi compositor, maestro, violoncelista, pianista e violonista que trabalhou para o desenvolvimento de um idioma nacional que incorporasse motivos africanos e indígenas.

Heitor Villa- Lobos nasceu no Rio de Janeiro no dia 05 de março de 1887. Se encantou desde cedo com a música popular e os ritmos do samba do Rio de Janeiro, sua cidade natal, numa época em que a nobreza proibia tais interesses. Embora seu pai, Raul Villa-Lobos, professor universitário e bibliotecário, tenha incentivado esse interesse até sua morte quando Heitor tinha apenas treze anos.

Aos dezesseis anos fugiu de casa para escapar da tentativa após sua sua mãe, a viúva Noemia Monteiro Villa-Lobos, tentar impedi-lo de desenvolver seus talentos musicais; o sonho da mãe era ver seu filho médico.

Cartaz da Semana de Arte Moderna de 1922

Longe da família, o jovem artista absorvia a música folclórica de qualquer região por onde passasse, ouvindo, imitando, improvisando, elaborando e compondo à medida que avançava. Viajou de canoa pelo Amazonas, ouvindo o canto dos pássaros tropicais e os tambores dos índios. Embora ocasionalmente se matriculasse em escolas formais, achava essas experiências chatas; ele permaneceu principalmente autodidata. Aos vinte anos, morou durante três anos na Bahia, lá encontrou uma cultura diversificada onde a influência afro-brasileira era mais forte. Depois voltou para o Rio de Janeiro, onde estudou música europeia por conta própria. Nesse período, casou-se em 1913 com a pianista Lucília Guimarães. Enquanto isso,  experimentava continuamente e escrevia muito, sempre buscando expressar qualidades brasileiras.

Em 1922, Heitor Villa-Lobos foi a principal figura da música na Semana de Arte Moderna. Durante esse evento, ele exibiu sua obra em três dias de apresentações. Entre as obras  apresentadas, estiveram as notáveis: Segunda Sonata, Danças Africanas, Valsa Mística, Cascavel, Terceiro Quarteto, entre outras.

Getúlio Vargas e Villa-Lobos

Em 1923, alguns de seus amigos arrecadaram dinheiro para o enviar à Europa. Quando lá chegou, lhe perguntaram o que tinha vindo estudar, ele respondeu: “Estou aqui para demonstrar minhas próprias realizações”. De fato, os parisienses mostravam mais interesse por suas obras do que os brasileiros, talvez porque na Europa fossem consideradas exóticas. Permaneceu em Paris por sete anos, compondo algumas de suas obras mais importantes.

Na década de 1930, Villa-Lobos retornou ao Brasil e tornou-se um educador musical, fazendo campanha pela introdução da música brasileira no currículo escolar e encenando apresentações de coros que exaltavam temas nacionalistas. O então Presidente da República, Getúlio Vargas lhe deu total apoio nessa campanha, valorizando a influência do músico para a educação musical no Brasil.

Nessa época Villa-Lobos compunha as nove suítes intituladas Bachianas Brasileiras, que foi sua obra mais conhecida, uma série de nove composições que misturam o folclore nacional com o clássico. Elas são caracterizadas por um alcance impressionante, grande poder, inventividade melódica e estrutura controlada.  Entre elas destaca-se O Trenzinho Caipira, uma de suas obras mais famosas.

Heitor e Arminda Villa-Lobos

Em 1936, seu casamento com Lucília terminou. Após deixar sua esposa, o músico teve um relacionamento amoroso com uma ex-aluna, Arminda Neves d’Almeida, ela era musicista e também exerceu grande influência no trabalho de Villa-Lobos.

Na década de 1940, ainda durante a gestão de Getúlio Vargas, Villa-Lobos publicou A Música Nacionalista, no qual ele considerava a nação como uma entidade sagrada e os seus símbolos também,  como por exemplo, a bandeira  e o  hino nacional sendo como invioláveis.

Em 1948, após a descoberta de um câncer, é operado em Nova York sendo acompanhado durante todo esse período por Arminda, (Mindinha como era conhecida) que contou: “Na véspera da operação, ele compôs uma maravilhosa música, deu-lhe o nome de Ave Maria. Heitor não era um homem religioso, mas foi aquela a forma que encontrara para rezar.  Depois da doença, suas músicas ganharam uma característica diferente: eram mais violentas, mais fortes…  ele gritava.”

Villa-Lobos compôs mais de 1.500 obras em quase todos os gêneros imagináveis, incluindo óperas, balés, missas na igreja, peças corais, obras orquestrais, solos de guitarra e trilhas sonoras de filmes. O músico também dedicou uma boa parte das suas composições à Arminda, incluindo o Ciclo Brasileiro e diversos choros.

Declarou: “Minha inspiração são oito, dez, doze horas de trabalho por dia. Compondo de qualquer maneira, com dor de dente, com notícias desagradáveis, com dinheiro, sem dinheiro.”

Heitor Villa-Lobos faleceu no Rio de Janeiro dia 17 de novembro de 1959 deixando uma obra gigantesca.  Em 1960, em sua memória, o governo brasileiro  na gestão de Juscelino Kubitschek, criou no Rio de Janeiro o Museu Villa-Lobos, cuja finalidade é preservar sua obra monumental e também difundi-la. Arminda se tornou diretora do Museu até a sua morte em 1985.

Embora não tenha tido filhos, é importante observar que um dos integrantes da Banda Legião Urbana, o guitarrista Dado Villa-Lobos é seu sobrinho neto.

Em 2006 foi instituído no Brasil, o dia Nacional da Música Clássica a ser comemorada no dia 05 de março em homenagem a Villa -Lobos, o dia de seu nascimento.

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“Acredito que a Arte está em tudo no que nos rodeia, basta um olhar sensível para apreciar e usufruir das diferentes manifestações artísticas. A Arte é a grande e bela ilustração da vida.”