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Biografia de Marcel Duchamp e suas principais obras

Marcel Duchamp foi um importante artista francês que rompeu as fronteiras entre a arte convencional e objetos do cotidiano.  Sua particularidade pelos padrões estéticos clássicos, o levou a conceber suas criações irreverentes e anunciar uma revolução artística. Duchamp é considerado um dos principais artistas que junto a Pablo Picasso e Henri Matisse inovaram a arte no início do século XX

Ao desafiar a própria noção do que é arte, seus primeiros ready mades enviaram ondas de choque pelo mundo da arte que ainda podem ser sentidas hoje.  A preocupação contínua do artista com os mecanismos do desejo e da sexualidade humana, bem como seu gosto pelo jogo de palavras, alinha seu trabalho com o dos surrealistas, embora ele se recusasse veementemente a se filiar a qualquer movimento artístico específico.

Em sua insistência de que a arte deve ser movida por ideias acima de tudo, Duchamp é geralmente considerado o pai da arte conceitual. Sua recusa em seguir um caminho artístico convencional, acompanhada apenas por um horror à repetição, explica o número relativamente pequeno de obras produzidas  em sua curta carreira, acabou levando ao seu afastamento do mundo da arte. Nos últimos anos, Duchamp passou o tempo jogando xadrez, mesmo enquanto trabalhava em segredo em sua última obra-prima enigmática, que só foi revelada após sua morte.

BIOGRAFIA

Henri-Robert-Marcel Duchamp nasceu na cidade de Blainville, na França, no dia 28 de julho de 1887.

Marcel Duchamp, assim ficou conhecido,  foi criado na Normandia, em uma família de artistas. Seu pai foi prefeito de Blainville e sua mãe pintava paisagens retratando o interior da França. O casal teve sete filhos. Marcel passava o tempo com a família jogando xadrez, lendo, pintando e tocando música. Ele tinha muita afinidade com seus dois irmãos mais velhos, tanto que em 1904, juntou-se a eles em Paris para estudar pintura na Académie Julian. Seu irmão, Jacques Villon, o apoiou durante seus estudos e Marcel ganhou alguma renda trabalhando como cartunista.

Rrose Selavy, persona feminina de Duchamp

A Paris no início do século XX, era o lugar ideal para o jovem artista a se familiarizar com as o surgimento da arte moderna. Motivado por isso, estudou as novas tendências artísticas e, foi cativado por abordagens de cor e estrutura. Ele se relacionou acima de tudo com a noção cubista de reordenar a realidade, ao invés de simplesmente representá-la. Suas primeiras pinturas, como a famosa Nu descendo a escada,  ilustram seu interesse por máquinas e sua conexão com o movimento do corpo através do espaço, o futurismo. No entanto, ele também se sentia atraído pelas noções do simbolismo de Odilon Redon o que o influenciou muito no início de sua carreira.  Este profundo interesse nos temas e na exploração da identidade sexual e do desejo,  o levaria  ao dadaísmo e ao surrealismo.

Em 1911, estando com 25 anos, conheceu Francis Picabia e, no ano seguinte, assistiu a uma adaptação teatral de Impressões da África de Raymond Roussel acompanhado de  Picabia e Guillaume Apollinaire. Essa experiência, e as tramas inventivas nos trocadilhos de Roussel em particular, causaram uma profunda impressão em Duchamp. Ele observou que, pela primeira vez,  “sentiu que, como pintor, era muito melhor ser influenciado por um escritor do que por outro pintor”. Este interesse na polinização entre gêneros influenciaria o artista a desenvolver uma abordagem eclética para fazer arte.

Em 1915, o artista emigrou para Nova York e lá concebeu e fabricou vários ready mades. Ao assiná-los, Duchamp reivindicou a descoberta de objetos, como uma pá de neve, um mictório ou uma roda de bicicleta. Esses objetos, vinculados simbolicamente a temas de desejo, erotismo e memória infantil, foram concebidos para mostrar o absurdo da prática canonizadora da arte de vanguarda.

Boîte en valise

Em 1918 mudou-se para Buenos Aires, onde permaneceu até meados do ano seguinte. Quando o surrealismo se tornou popular na França, Duchamp viajou entre Nova York e Paris, participando de projetos textuais impressos, instalações esculturais e colaborações em todos os meios com os surrealistas. Ainda assim, ele sempre se manteve afastado dos grupos ligados aos movimentos artísticos,  porém seus readymades realmente precederam a fundação do Dadaismo em Zurique. Duchamp foi capaz de se alinhar com esse movimento e, assim, incluir suas produções artísticas na história da arte sem mergulhar totalmente no dada.

A partir de 1920, o artista adotou uma persona feminina alternativa, se apresentava como Rrose Selavy. Foi criada para explorar plenamente as ideias de identidade sexual.  Se disfarçar ou usar um nome feminino, mudar sua identidade, era também uma forma dele criar um ready-made. Ele brinca mais uma vez com palavras com esse novo nome, já que a duplicação da letra “r” se refere a “arrose” (vida molhando) ou uma transposição fonética de Eros, isso é vida.

Em 1923 regressou a Paris e a partir desse período, foi afinando progressivamente sua produção artística e por dez anos lidou quase que exclusivamente com o xadrez, alcançando altos níveis. As relações entre Marcel Duchamp e o jogo de xadrez são certamente muito curiosas. Primeiro, é preciso partir da ideia de que, antes de ser artista, Duchamp era um jogador – “Minha ambição é ser jogador de xadrez profissional”, disse o artista, em certo momento de sua vida. Ele passou muito mais tempo dedicado ao jogo do que a qualquer outra coisa – inclusive a arte. Durante esse período, alcançou excelentes resultados em torneios, chegando a jogar com os melhores jogadores do mundo, participando de competições internacionais representando a equipe francesa ao lado de Alexander Alekhine. 
Duchamp, que chegava a ficar cinco horas resolvendo problemas de posição, também traduziu livros e até escreveu sobre xadrez – livro que hoje se transformou numa obra rara duchampiana.

Marcel Duchamp também experimentou o cinema, como ator ao lado de Man Ray em Entr’acte, de 1924 (abrindo a janela), que podem ser vistos jogando xadrez entre si em um telhado parisiense. Dirigido por René Clair,  o curta metragem serve como um retrato de classe da cena vanguardista parisiense do início dos anos 20

Devemos a Marcel Duchamp este desejo de renovar os materiais usados ​​para criar, mas também a questão estética na Arte que dará início à Arte Conceitual. Ele co-organizou com seu amigo André Breton a exposição internacional de Surrealismo em Paris em 1938.

Com o tempo, o artista passou a se isolar do mundo da arte maior e manteve-se com um grupo restrito de artistas, incluindo Man Ray, que o fotografou muitas vezes ao longo de sua vida.

Entre 1936 a 1941, Marcel Duchamp produziu inúmeras caixas, denominadas “Boîte en valise”, onde reuniu reproduções de pequena dimensão das suas principais obras, distribuindo-as aos seus amigos.

Em 1942 Duchamp decidiu se estabelecer definitivamente em Nova York com segurança, graças a seus “amigos poderosos”. Em 1954 ele se casou com Alexina Sattler  que permaneceu com ele por toda sua vida.

Por mais de vinte anos, Duchamp trabalhou em completo sigilo em sua segunda obra-prima, Sendo dado (Etant donnes) , um diorama elaborado e sexualizado. 

Em seus últimos anos, ele evitou os olhos do público, preferindo jogar xadrez com convidados selecionados até sua morte . Duchamp era um jogador obsessivo: nos muitos momentos de reclusão, jogava por correspondência com pessoas desconhecidas – “Saiba que o xadrez é minha droga”, disse, certa vez, em carta enviada de Buenos Aires para uma amiga em Nova York: “Sinto que estou pronto para transformar-me num desses maníacos que não fazem outra coisa a não ser jogar xadrez. Tudo ao meu redor toma a forma de cavalo ou rainha, e o meu exterior só tem interesse para mim se suas transformações levam a perder ou ganhar posições”.

A obra de Duchamp, reduzidíssima, foi um gesto crítico radical, mas em muitas declarações o artista recusou-se a ser visto como um destruidor. A atitude crítica de Duchamp ainda repercute, tantos anos depois de suas criações radicais

Marcel Duchamp faleceu no dia 02 de outubro de 1968, aos 81 anos em Neuilly-sur-Seine, França 

LEGADO

Depois de se retirar do mundo da arte, Duchamp permaneceu uma presença passiva, embora influente, nos círculos de vanguarda de Nova York, até que foi redescoberto na década de 1950 por Robert Rauschenberg e Jasper Johns. Curiosamente, por volta dessa época, Duchamp deu as boas-vindas a uma associação com o dadaísmo – disposto a se associar a um grupo muitos anos após o desaparecimento do grupo, sem nunca ter que confirmar a política e as questões que geralmente regem a dinâmica do grupo. Duchamp praticamente se inscreveu no movimento e, portanto, na história da arte.

A insistência de Duchamp de que a arte deve ser uma expressão da mente, em vez dos olhos ou das mãos, falou tanto aos minimalistas quanto aos artistas conceituais. O conceito seminal do readymade produzido em massa foi avidamente apreendido não apenas por Andy Warhol e outros artistas da pop arte, que tinhas Duchamp como seu pai precursor, mas também, devido aos seus aspectos performativos.

A crítica radical de Duchamp às instituições de arte fez dele uma figura ímpar para gerações de artistas que, como ele, se recusaram a seguir o caminho de uma carreira artística convencional e comercial. Embora seu trabalho tenha sido admirado por seu amplo uso de materiais e meios artísticos, é o impulso teórico da produção eclética, mas relativamente limitada de Duchamp, que explica seu impacto crescente em ondas sucessivas dos movimentos de vanguarda do Século XX e artistas individuais que reconheceram abertamente sua influência.

GALERIA – ARTE COMENTADA

Poucos artistas podem se orgulhar de ter mudado o curso da história da arte da maneira como Duchamp o fez. Tendo começado sua carreira como pintor, ele realizou obras que tinham características impressionistas, expressionistas e cubistas; figurando principalmente entre o dadaismo e o surrealismo.

O que torna uma obra de arte “arte”? Antes mesmo que outros artistas estivessem considerando essa questão, Marcel Duchamp fez dela a base de sua prática. 

Paisagem em Blainville –  Essa é uma de suas primeiras pinturas que retrata sua cidade natal. Foi pintada quando o artista tinha apenas quinze anos, refletia o amor de sua família por Claude Monet.

Paisagem em Blainville. Marcel Duchamp. 1902 – Óleo sobre tela (61 x 50) – Localização: Museu de Arte de Filadélfia

Retrato do pai do Artista – Duchamp transitou por muitos movimentos, sem se prender a nenhum. Temos nesse retrato sua experiêcia com o fauvismo.

Retrato do pai do Artista. Marcel Duchamp. 1910 – Óleo sobre tela  (92,4 x 73,3 cm) – Localização: Museu de Arte de Filadélfia

Jogo de Xadrez – Declarou o artista: “Ainda sou uma vítima do xadrez. Ele tem toda a beleza da arte e muito mais. não pode ser comercializado. O xadrez é muito mais puro do que a arte em sua posição social”

Jogo de Xadrez. Marcel Duchamp. 1910 – Óleo sobre tela (114 x 146,5cm) – Localização: Museu de Arte de Filadélfia

Yvonne e Magdeleine – Duchamp quis representar suas irmãs mais novas de “perfis flutuantes”, destacando com muita atenção seus narizes romanos e os longos cabelos cacheados característicos. O estilo diferente dos perfis e a colocação na pintura, lembram os pedaços de papel rasgados ou cortados que Pablo Picasso e Georges Braque usaram em suas colagens cubistas. O artista faz alusão humorística no título, o que sugere que suas irmãs foram similarmente “rasgadas em farrapos”.

Yvonne e Magdeleine rasgadas em farrapos. Marcel Duchamp. 1911. Localização: Museu de Arte da Filadélfia (EUA)

Nu descendo uma Escada – Mais do que um estudo do movimento do corpo através do espaço, a obra é um dos primeiros exercícios figurativos na pintura cinematográfica. Junto com sua pintura realizada no mesmo ano, A Passagem da Virgem para Noiva, marca o fim da curta carreira de Duchamp como pintor.  A obra encontrou inicialmente uma resposta desfavorável no Salão dos Independentes dominado pela vanguarda cubista que se opôs ao que consideravam suas inclinações futuristas, porém futuramente foi exibida juntamente na Galeria de Arte Cubista, em Barcelona no mesmo ano e posteriormente causando um grande rebuliço durante sua exposição no Armory Show em Nova Iorque em 1913.

Nu descendo uma Escada. Marcel Duchamp. 1912 – Óleo sobre tela (89 x 146 cm) – Localização: Museu de Arte de Filadélfia
A Passagem da Virgem para Noiva. Marcel Duchamp. 1912 – Óleo sobre tela (89,5 x 55,25 cm) – Localização: Museu de Arte de Filadélfia

Roda de Bicicleta – O “primeiro ready made” – De acordo com Duchamp , não era arte, mas apenas algo para se ter em uma sala, muito parecido com um apontador de lápis. Em retrospecto, Duchamp também viu  Roda de Bicicleta como um trabalho de transição ou experimental que se interpôs entre seus ready mades mais “claramente estabelecidos” de anos posteriores e suas pinturas anteriores. Principalmente porque era uma obra com a qual se podia interagir, ou seja, a roda podia ser girada. Duchamp explicou: “Ver aquela roda girando era muito reconfortante, muito reconfortante, uma espécie de abertura de avenidas para outras coisas além da vida material de todos os dias . Gostei da ideia de ter uma roda de bicicleta em meu estúdio. Gostei de olhar para ela, assim como gostei de olhar as chamas dançando na lareira.” 

Roda de Bicicleta. Marcel Duchamp. 1913

Um barulho secreto – O ready made é uma manifestação radical da intenção de Marcel Duchamp de romper com a artesania da operação artística, uma vez que se trata de apropriar-se de algo que já está feito: escolhe produtos industriais, realizados com finalidade prática e não artística. Essa obra em especial, foi produzida juntamente com o  Walter Arensberg, que era seu amigo e colecionador de arte.  Eles retiraram os parafusos e colocaram um objeto dentro do rolo de barbante entre as duas placas de metal e não revelaram a ninguém qual seria este objeto. O segredo se mantém até hoje, a única coisa que sabemos é que quando se balança o trabalho ele faz um barulho, que pode ser de moeda ou um diamante. 

Ruído Oculto. Marcel Duchamp. 1916 – Bola de barbante presa entre duas placas de latão conectadas á quatro longos parafusos – Coleção de Louise and Walter Arensberg.

A Fonte – As criações de Duchamp costumam ser controversas por sua própria natureza. A maior explosão da sua carreira  está sem dúvida nessa obra, onde transformou um simples mictório  à categoria de obra de arte. É aí que o ready-made encontra a sua essência e domina radicalmente a arte do século XX. Essas peças “já feitas” ,estão prontas e são uma dádiva de Deus para o artista que entrega um conceito por conta própria, explicou Duchamp.

A obra foi submetida ao Sociedade de Artistas Independentes de 1917 sob o pseudônimo de R. Mutt. O R inicial significava Richard, gíria francesa para “sacos de dinheiro”, enquanto Mutt se referia à JL Mott Ironworks, a empresa com sede em Nova York, que fabricava o mictório de porcelana. Depois que a obra foi rejeitada pela Sociedade sob o fundamento de que era imoral, os críticos que a defenderam contestaram essa afirmação, argumentando que um objeto foi investido de um novo significado quando selecionado por um artista para exibição. Testando os limites do que constitui uma obra de arte, A Fonte estabeleceu novos fundamentos. O que começou como uma brincadeira elaborada, se transformou em um projeto que provou ser uma das obras de arte mais influentes do século XX. Clique aqui e saiba mais

A Fonte. Marcel Duchamp. 1917

Série Bottle Rack – é uma edição de oito racks de garrafas assinados por Duchamp. Em 1913, Duchamp se perguntou: “Alguém pode fazer uma obra de arte que não seja uma obra de arte?” No caso desse readymade, um rack de metal para secar garrafas de vinho, a resposta é sim. Ele afirmou que o ato de escolha de um artista é suficiente para transformar qualquer objeto funcional em uma escultura sem função – daí o termo “readymade”, um objeto encontrado ou manufaturado cujo propósito anterior é anulado, devido à nova classificação do objeto pelo artista. Foi alterado conceitualmente. Para um mundo da arte que valorizava a evidência da mão e do trabalho do artista, o valor de choque do readymade era alto. Além disso, o objeto acumulou associações adicionais, incluindo uma relação simbólica com a Torre Eiffel e conotações eróticas associadas às pontas vazias da prateleira.

Rack de garrafas. Marcel Duchamp. 1914

A Noiva despojada de seus solteirosDurante sete anos, de 1915 a 1923, ele se dedicou para planejar e executar uma de suas duas principais obras. Essa instalação de maquinário encaixado entre painéis de vidro foi o primeiro “manifesto estético” de Duchamp, marcando sua rejeição às obsessões pictóricas antiquadas com agradar aos olhos, em uma teoria que ele chamou de “Estremecimento retiniano”. A noiva despojada de seus solteiros,  investigou tematicamente o erotismo e o desejo, o que era típico em sua obra.

A Noiva despojada de seus solteiros. Marcel Duchamp. 1915 1923 – (óleo, verniz, vidro) – Localização: Museu de Arte de Filadélfia

Mona Lisa. LHOOQ.  – Como profeta da vanguarda , Marcel Duchamp confia mais na substância do que na forma. No entanto, ele repetidamente revela um bom humor, tingido de ironismo e humor subversivo . Por gostar de brincar com as palavras, cria inúmeras insinuações sexuais através de meios visuais que também contam com uma dimensão linguística . Pensamos em particular na versão da Mona Lisa em LHOOQ (O título remete à pronúncia francesa das letras, “Elle a chaud au cul”, que se traduz aproximadamente como “Ela tem uma bunda gostosa”.)  Ao dotar a Mona Lisa de atributos masculinos, ele alude a Leonardo a suposta homossexualidade e gestos sobre a natureza andrógina da criatividade. Duchamp está claramente preocupado aqui com as inversões de papéis de gênero, que mais tarde vêm à tona nos retratos de Man Ray do artista vestido como seu alter ego feminino, Rrose Selavy.

L.H.O.O.Q, Mona Lisa com bigode. Marcel Duchamp. 1919 – Ready Made – Museu de Arte de Filadélfia

Sendo dado (Étant donnés) – é uma instalação desenvolvida entre 1946 e 1966 em Nova York que foi mantida em segredo por anos.  Instalada atrás de uma pesada porta de madeira que foi encontrada na Espanha e enviada para Nova York, a peça consiste em um diorama visto através de dois orifícios para os olhos . A cena retrata uma mulher nua, possivelmente morta, com as pernas abertas, segurando um lampião a gás aceso. Uma paisagem montanhosa, baseada em uma foto tirada por Duchamp na Suíça, cria o cenário de fundo. Construído em segredo por um período de mais de vinte anos, Etant donnes é considerado a segunda grande obra de Duchamp. À primeira vista, a obra é uma referência direta à pintura de Gustave Courbet, Origem do Mundo, de 1866. Ainda assim, considerando mais de perto, a peça pode ser vista como uma reflexão sobre as fronteiras entre artista e espectador, como um meio de questionar a autoconsciência ou como uma meditação sobre o propósito espiritual através do simbolismo de uma lâmpada acesa.

Há uma curiosa especulação, em que envolve a artista brasileira Maria Martins, sendo ela a musa inspiradora e modelo para a realização desta obra. A escultora que também atuava como embaixatriz, então casada com o embaixador Carlos Martins Pereira e Souza, residiu nos Estados Unidos entre 1939 e 1948, e se associou ao movimento surrealista por meio de Duchamp, quando se conheceram e se tornaram amantes no mesmo período

Este é o último grande trabalho pronto do artista. Ela só foi revelada um ano após sua morte.

Étant Donnés. Marcel Duchamp. 1945-1966 – Instalação feita a base de Madeira pintada, látex e tecido – Localização: Museu de Arte de Filadélfia

Étant Donnés – Uma visita à instalação no Museu de Arte da Filadélfia…

“Acredito que a Arte está em tudo no que nos rodeia, basta um olhar sensível para apreciar e usufruir das diferentes manifestações artísticas. A Arte é a grande e bela ilustração da vida.”

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