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Romantismo nas artes visuais

O Romantismo foi um movimento artístico dominante em toda a Europa que predominou principalmente durante a primeira metade do século XIX.  Em parte estimulado pelo idealismo da Revolução Francesa, o movimento abraçou as lutas pela liberdade e igualdade e a promoção da justiça. Os pintores começaram a usar eventos atuais e atrocidades para lançar luz sobre as injustiças em composições dramáticas que rivalizavam com as pinturas históricas neoclássicas mais sérias aceitas pelas academias nacionais.

O termo Romantismo foi usado pela primeira vez na Alemanha no final dos anos de 1700,  quando os críticos August e Friedrich Schlegal escreveram sobre poesia romântica.

Em 1813, Madame de Staël, uma influente líder da vida intelectual francesa, popularizou o termo na França após a publicação de seu relato de suas viagens à Alemanha.

Em 1815, o poeta inglês William Wordsworth, que se tornou uma voz importante do movimento romântico e que achava que a poesia deveria ser o transbordamento espontâneo de sentimentos poderosos, comparou a harpa romântica com a lira clássica. Os artistas que se consideravam parte do movimento se viam como compartilhando um estado de espírito ou uma atitude em relação à arte, natureza e humanidade, mas não se baseavam em definições ou princípios estritos. Contrariando a ordem social, a religião e os valores estabelecidos.

Romantismo nas Artes Visuais

Tanto o poeta e artista inglês William Blake quanto o pintor espanhol Francisco de Goya foram apelidados de “pais do Romantismo” por vários estudiosos devido à ênfase de suas obras na visão subjetiva, no poder da imaginação e em uma consciência política frequentemente sombria. Blake, trabalhando principalmente com gravuras, publicou suas próprias ilustrações ao lado de sua poesia que expressava sua visão de um novo mundo, criando mundos míticos cheios de deuses e poderes e criticando fortemente a sociedade industrial e a opressão do indivíduo. Goya explorou os terrores da irracionalidade em uma série de quatorze pinturas conhecidas como “Pinturas Negras“. Elas transmitiam as forças de pesadelo subjacentes à vida e aos eventos humanos. Com a intenção de manter as pinturas escondidas dentro de sua casa, Goya investiu todos os seus sentimentos negativos nas obras através da pintura de cenas cheias de terror e ocorrências horríveis, como podemos observar em sua pintura Sabá das Bruxas.

Na França, o pintor Antoine-Jean Gros influenciou os artistas Théodore Géricault e Eugène Delacroix,  que posteriormente lideraram e desenvolveram o movimento romântico. Ao narrar as campanhas militares de Napoleão Bonaparte em pinturas como Bonaparte Visita a Peste Atingida em Jaffa (1804), Gros enfatizou a intensidade emocional e o sofrimento da cena.

Na Inglaterra, Alemanha e Estados Unidos, os principais artistas românticos se concentraram principalmente na paisagem, como pode ser visto nas obras do artista britânico John Constable, do alemão Caspar David Friedrich e do americano Thomas Cole, mas sempre com a preocupação da relação do indivíduo com a natureza.

Em grande parte desenvolvido durante a Revolução Francesa, o Romantismo foi aliado a um espírito revolucionário e rebelde. A regra da razão e da lei do Iluminismo foi percebida como restritiva e mecanicista. Como resultado, os artistas se voltaram para cenas de rebelião e protesto. Em 1818 Théodore Géricault criou A Jangada da Medusa, inspirado em um verdadeiro relato de um naufrágio, como uma denúncia às políticas do governo francês que levaram à tragédia.  Da mesma forma, William Turner em O Navio Negreiro, pretendia influenciar o governo britânico a uma política de abolição mais ativa. A Liberdade Guiando o Povo de Eugène Delacroix,  foi criada para apoiar a revolta do povo de Paris contra o governo de restauração de Carlos X. Delacroix também pintou uma série de obras que descrevem a luta grega pela independência contra o Império OtomanoO Massacre em Quios  retrata os sobreviventes de um massacre que ocorreu quando o Império Otomano conquistou uma Ilha de gregos rebeldes e matou ou escravizou a maioria dos habitantes.

Romantismo na Alemanha

Durante o Iluminismo,  os pintores românticos alemães voltaram suas atenções para as emoções interiores, em vez de observações racionais. Eles olharam para épocas anteriores, incluindo a Idade Média, para exemplos de homens vivendo em harmonia com a natureza e uns com os outros. Os nazarenos, um grupo de pintores fundados em Viena em 1809, favoreciam a pintura medieval e do início da Renascença italiana , repudiando o estilo neoclássico popular preferido na época. O principal romântico alemão Caspar David Friedrich trabalhou predominantemente na pintura de paisagens e explorou a relação do homem com a terra. Sua obra famosa O Andarilho sob o nevoeiro, é uma das mais representativas nesse aspecto.  A pintura de paisagens tornou-se uma alegoria para a alma humana, bem como um símbolo de liberdade e sem limites que criticava sutilmente a restrição política da época.

Romantismo na Espanha

Em meio à Guerra Peninsular deflagrada por Napoleão e à Guerra da Independência Espanhola, os pintores românticos espanhóis começaram a explorar visões mais subjetivas de paisagens e retratos, valorizando o indivíduo. Francisco de Goya foi de longe o mais proeminente dos românticos espanhóis. Enquanto ele era o pintor oficial da corte real, em direção ao final do século XVIII, ele começou a explorar o imaginário, o irracional, e os horrores do comportamento humano e da guerra. Suas obras, incluindo a pintura O Três de maio de 1808  e a série de gravuras intitulada Os Desastres da Guerra, representam uma repreensão poderosa da guerra durante a era do Iluminismo. Cada vez mais retraído, Goya fez uma série de pinturas negras que explorou os terrores mantidos nos recônditos mais íntimos da psique humana.

Romantismo na França

Artistas como Eugène Delacroix criaram muitas cenas de gênero do Norte da África, dando início à moda do orientalismo, e suas composições dramaticamente encenadas de luz e cor destacaram os horrores dos eventos e tragédias contemporâneas. Considerada como obra prima, sua pintura A Liberdade guiando o Povo é uma das pinturas mais importantes e representativas do Romantismo. 

Os franceses também desenvolveram uma forte interpretação escultural do romantismo. Géricault criou uma escultura intitulada A Ninfa e Sátiro, peça que retratava um encontro sugestivo e violento entre as duas figuras mitológicas.

Romantismo na Inglaterra

Com exceção de William Blake, que praticava uma arte mais visionária, os pintores românticos ingleses preferiam a paisagem.  John Crome, foi um membro fundador do grupo e o primeiro presidente da Sociedade de Artistas de Norwich, que realizou exposições anuais de 1805-1833. Trabalhando com aquarela e pintura a óleo, Crome, como outros membros do grupo, enfatizou a pintura ao ar livre e a observação científica da paisagem. No entanto, seu trabalho e o de outros artistas do grupo refletiam uma sensibilidade romântica, como pode ser visto em sua obra Meninos tomando banho no Rio Wensum em Norwich, de 1817.

John Constable foi o mais influente dos paisagistas ingleses, combinando a observação atenta da natureza com uma profunda sensibilidade. Rebelando-se contra as práticas padrão da academia. O uso de cores influenciou o jovem Eugène Delacroix, que se encantou com a maneira como Constable usava pinceladas de cor local e branco para criar uma luz cintilante.

Stonehenge. John Constable. 1835

Em Stonehenge, Constable transporta-nos para um tempo mítico, criando uma amostra da natureza modificada por sentimentos que almejam a individualização de si mesmo em um mundo onde a beleza, o prazer e a harmonia estão isolados do tangível.

A cor foi mais radicalmente explorada por William Turner que foi um artista prolífico, embora excêntrico e recluso, que trabalhava com óleos, aquarelas e gravuras. A aplicação da cor de Turner em pinceladas rápidas criou uma superfície empastada e dinâmica que ficou conhecido como “o pintor da luz”. Ele foi muito influente para os artistas impressionistas e até mesmo futuramente ao expressionista abstrato Mark Rothko.

 Obras citadas

O Andarilho sob o Nevoeiro. Caspar David Friedrich. 1818 – Óleo sobre tela ( 94,8 x 74,8 cm) – Galeria de Arte de Hamburgo, Alemanha

Sabá das Bruxas –  A silhueta distinta de uma cabra cor de meia-noite envolta em uma túnica de monge claramente domina a cena, enquanto oferece uma explicação para as posturas apavoradas das mulheres ao redor. Goya pinta o bode como uma representação de Satanás, que atua como supervisor da reunião das bruxas, ao mesmo tempo que equipa o demônio com um escriba, adornado de branco. Sentada à direita da pintura, uma jovem bruxa se agita em sua cadeira, antecipando a cerimônia que se segue à presença do Diabo.

Sabá das Bruxas. Francisco de Goya. 1823 – Óleo sobre tela (438 x 140 cm) – Localização: Museu do Prado, Madrid
Bonaparte Visita a Peste Atingida em Jaffa. Antoine-Jean Gros. 1804.  Óleo sobre tela (532×720cm) – Localização: Museu do Louvre, Paris.
A Jangada da Medusa. Théodore Géricault. 1818 – Óleo sobre tela (4,91×7,16m) – Localização: Museu do Louvre
O Navio Negreiro. William Turner. 1840. Óleo Sobre Tela (90X122cm). Museu das Belas Artes, Boston
O Massacre em Quios. Eugène Delacroix. 1824 – óleo sobre tela (419 x 354cm) – Localização: Museu do Louvre
Gravura 39 . Os Desastres da Guerra. Francisco de Goya.
Ninfa e Sátiro. Theodore Géricault. 1818-1820
Meninos tomando banho no Rio Wensum em Norwich . John Crome. 1817

por Roseli Paulino – @arteeartistas

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“Acredito que a Arte está em tudo no que nos rodeia, basta um olhar sensível para apreciar e usufruir das diferentes manifestações artísticas. A Arte é a grande e bela ilustração da vida.”
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