Jean-Auguste Dominique Ingres

A Fonte. Jean-Auguste Dominique Ingres. 1856

Jean-Auguste Dominique Ingres foi um influente pintor neoclássico francês. É conhecido por seu estilo preciso, meticuloso e detalhado, que refletia sua admiração pela antiguidade clássica e pelo Renascimento italiano.

Ingres nasceu em 29 de agosto de 1780 em Montauban, França. Era o filho mais velho do escultor, pintor e músico Jean-Marie Joseph Ingres.

Desde muito jovem demonstrou talento para a arte, música e nas artes visuais. Em 1789 já estava assinando seu primeiro desenho.

Em 1791, seu pai de enviou-o para a cidade vizinha Toulouse, matriculando-o na Academia Royal de Pintura, Escultura e Arquitetura onde estudou com os pintores Guillaume-Joseph Roques, Jean Briant e o escultor Jean-Pierre Vigan.

No período de 1794 a 1796, demonstrou interesse pela música, sendo integrante como o segundo violonista na Orquestra do Capitólio de Toulouse. Suas habilidades musicais deu origem à frase “Violino de Ingres”, usada para descrever um talento prodigioso, mas secundário, ofuscado por a ocupação principal.

Em 1797, seguindo a progressão típica de jovens artistas ambiciosos, Ingres trocou Toulouse por Paris, onde teve um lugar garantido para frequentar o ateliê do ilustre mestre neoclássico Jacques-Louis David. Seus primeiros trabalhos, demonstraram o domínio das convenções acadêmicas, bem como suas rupturas experimentais com a tradicional Escola de David. 

Autorretrato. 1804

As recentes vitórias militares francesas na Holanda, Bélgica e Itália trouxeram para Paris troféus de coleções de arte históricas, proporcionando ao artista, um acesso sem precedentes a obras primas da arte renascentista. Seu amor por Rafael Sanzio,  o que influenciou a sua abordagem à pintura de figuras humanas e à representação idealizada da beleza.

O Voto de Luís XIII. Jean-Auguste Dominique Ingres. 1824

Durante o período em que frequentou a Escola de David, Ingres adotou muitas regras do  mestre, mas também rompeu com o seu exemplo; em particular, começaram a favorecer temas mais emocionalmente evocativos e sensuais, o que incentivou um estilo de pintura menos rígido.

Apesar de coincidir com o surgimento do Romantismo na arte, Ingres manteve-se fiel ao Neoclassicismo e foi frequentemente criticado pelo seu estilo frio e acadêmico. No entanto, as suas obras, como A Grande Odalisca (ver a pintura na galeria) e  A Fonte,  demonstram o seu domínio do desenho e da representação detalhada.

Ingres também foi um notável pintor de retratos e realizou de muitas personalidades importantes de sua época, incluindo Napoleão Bonaparte e Luís Filipe I da França. Apesar de suas tendências neoclássicas, seu estilo evoluiu ao longo dos anos e ele começou a incorporar elementos mais românticos em suas obras.

Ingres submeteu cinco retratos ao Salão de 1806, incluindo um primeiro autorretrato,  e mais notavelmente, Napoleão I em seu Trono Imperial (ver obra na galeria). Foi apenas no caminho para Roma que o artista soube da recepção morna deles, e até mesmo seu professor David chamou seu Napoleão de “ininteligível”. Ingres decidiu que permaneceria na Itália até poder retornar triunfante a Paris.

A Apoteose de Homero. Jean-Auguste Dominique Ingres. 1827 – Óleo sobre tela (386 x 515 cm) – Localização: Museu do Louvre 

Embora ele sentisse que o retrato era um uso sem importância de seu talento, foi lucrativo e necessário devido ao seu casamento em 1813 com Madeleine Chapelle. Na verdade, foi apenas em virtude de sua reputação como pintor de retratos que Ingres sobreviveu às consequências financeiras das Guerras Napoleônicas, que terminaram no colapso do Império em 1814.

Ingres viveu dezoito anos na Itália, entre Roma e Florença. Poucas semanas depois de sua chegada a Florença, recebeu a encomenda mais importante de sua carreira. O Ministério do Interior francês solicitou uma pintura religiosa em grande escala para a catedral de Montauban, cidade natal do artista, para comemorar a consagração da França por Luís XIII.  O resultado foi a pintura intitulada O Voto de Luís XIII  e foi recebido no Salão daquele ano como um sucesso absoluto.

O sucesso de Ingres no Salão e sua eleição para a Academia de Belas Artes como membro correspondente, permitiram-lhe retornar a Paris em 1824 como muito sucesso. No ano seguinte, ele recebeu a Cruz da Legião de Honra de Carlos X e outra encomenda para uma grande pintura histórica no teto do Louvre, A Apoteose de Homero.

Com o passar do tempo, ele também se tornou um professor influente e mentor de uma nova geração de artistas, como seu rival Eugène Delacroix. Embora o seu estilo não tenha sido totalmente apreciado em sua época, seu trabalho influenciou o desenvolvimento posterior da arte.

Autorretrato. 1859

Em 1846,  Ingres participou de uma retrospectiva de sua obra com Jacques-Louis David e seus alunos mais admiráveis. Nesse período, ele ocupava uma posição de honra e depois de seu mestre, ele teve o maior número de obras expostas e resenhas focadas em seus retratos, chamando-o de “o mestre do nosso século sem igual no que diz respeito aos seus retratos”.

Em 1855, foi homenageado com uma retrospectiva monográfica e uma galeria inteiramente dedicada a ele na Exposição Universal. Apesar deste sinal de respeito, o sempre teimoso e paranoico Ingres ficou indignado por ter de partilhar a grande medalha de honra daquele ano com outros nove artistas, incluindo o seu rival, Delacroix, importante artista do Romantismo e chamado pelos neoclássicos como o “apóstolo do feio.”

Jean-Auguste Dominique Ingres faleceu no dia 14 de janeiro de 1867 por consequencias de uma pneumonia. Seu último trabalho registrado, foi em um caderno como “Uma grande Virgem com a Hóstia e dois Anjos“, datado em 31 de dezembro de 1866.

Uma grande Virgem com a Hóstia e dois Anjos. Jean-Auguste Dominique Ingres. 1866

LEGADO

O interesse de Ingres pela beleza linear e a sua vontade de distorcer os seus temas para alcançar uma forma visual mais agradável, tiveram impacto na vanguarda. Suas múltiplas telas de haréns e odaliscas femininas inspiraram muitos artistas a abordar o assunto, como  Édouard Manet e sua Olympia, reinventaria a odalisca como uma prostituta parisiense, chocando o público do salão.  Henri Matisse enfatizaria o exotismo orientalista de seus nus femininos reclinados. Edgar Degas consideraria Ingres um mestre desenhista, emulando sua linearidade sob sua pincelada impressionista. Gustave Moreau abraçou o academicismo de Ingres, estendendo as lições de contornos e narrativas clássicas até o final do século XIX. Pablo Picasso levou suas distorções figurativas a novos níveis, mas também olhou para os seus retratos altamente acabados como modelo para o seu estilo clássico entre guerras. Na verdade, a insistência do cubismo na arte como um empreendimento intelectual e cerebral tem estado diretamente ligada ao exemplo neoclássico, que enfatizava o olhar como uma experiência reflexiva, em vez de emocional ou sensacional.

O termo “Violino de Ingres”, serviu  como título para uma famosa fotografia surrealista de 1924 de Man Ray.

GALERIA – ARTE COMENTADA

Napoleão em seu Trono Imperial – Substituindo Deus por Napoleão, rodeado pela coroa de  louros dourada e pelo trono, Ingres sugere o poder de seu modelo, até mesmo a divindade. Esta pose também lembrava a lendária estátua de Zeus em Olímpia, do antigo escultor grego Fídias. Embora essa estátua tenha sido perdida na antiguidade, o interesse neoclássico por tais relíquias tornou-a uma referência relevante e reconhecível para o espectador do século XIX.

Napoleão em seu Trono Imperial. Jean-Auguste Dominique Ingres.  1806

A Grande Odalisca – Em 1814, o artista Jean-Auguste-Dominique Ingres foi contratado por Caroline, irmã de Napoleão Bonaparte para realizar uma pintura. Ela se casou com o Marechal Joachim Murat, que tornou-se rei de Nápoles em 1808 e queria que a pintura combinasse com outra que  Ingres havia pintado de uma mulher nua dormindo, assim o artista criou esta bela pintura. Clique AQUI e saiba mais

A Grande Odalisca. Jean-Auguste-Dominique Ingres. 1814 – Óleo sobre tela (91 x 162 cm) – Localização: Museu do Louvre 

A Banhista de Valpinçon – Esta é uma das obras mais icônicas de Ingres, onde a figura nua é retratada com grande delicadeza e sensualidade, enquanto sua atenção aos detalhes fica evidente em cada dobra da tela e na cuidadosa disposição da composição.

A Banhista de Valpinçon. Jean-Auguste Dominique Ingres. 1808

O Banho Turco – Mais uma vez, Ingres reúne elementos do Neoclassicismo e do Romantismo. A sua linha sinuosa característica beira a fluidez de um arabesco, embora mantenha a superfície escultural e a representação precisa da sua formação. Tal como acontece com os seus anteriores nus femininos, Ingres toma liberdades artísticas ao representar a anatomia humana – os membros e torsos das figuras são distorcidos para alcançar uma estética mais harmoniosa.

O Banho Turco. Jean-Auguste Dominique Ingres. 1862 – Localização: Museu do Louvre

Por Roseli Paulino – @arteeartistas

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“Acredito que a Arte está em tudo no que nos rodeia, basta um olhar sensível para apreciar e usufruir das diferentes manifestações artísticas. A Arte é a grande e bela ilustração da vida.”