
Tarsila do Amaral: Obras Icônicas, Painéis e os Últimos Anos do Modernismo
(Sem Penalidade CLS)
Tarsila pintou dois painéis em sua carreira, ambos da década de 50.
Em 1954, finalizou Procissão do Santíssimo, realizado para as comemorações do IV Centenário da Cidade de São Paulo.
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Em 1956, realizou para a Editora Martins outro painel, com o título Batizado de Macunaíma.
Embora o tema compreenda várias questões de interesse da artista, esta pintura é considerada distanciada do restante de sua obra, em razão dos tons contrastantes e sombrios, bem como da estilização das figuras, dos detalhes e da composição.

ÚLTIMOS ANOS...

No final de sua vida, Tarsila sofria de sérios problemas nas costas, o que a limitou ao uso de uma cadeira de rodas.
Faleceu no dia 17 de janeiro de 1976, aos 86 anos, em São Paulo, e foi sepultada no Cemitério da Consolação.
Ao longo de sua carreira como artista plástica, foram catalogados 2132 obras.
Além das pinturas, cinco esculturas, centenas de desenhos, ilustrações, gravuras e murais.
Mas o mais importante, é que ela levou as artes brasileiras ao modernismo mundial e ajudou a desenvolver um estilo único genuinamente brasileiro.
ARTE COMENTADA

Carta de Mário de Andrade à Tarsila do Amaral:
Exma. Sra. Tarsila do Amaral
Paris
S. Paulo, 11- 01-1923
"Querida amiga
Se é mesmo verdade que os gregos e os romanos tratavam seus deuses com familiaridade amiga, creio que foi o cristianismo que trouxe para os homens ocidentais o temor pelas entidades divinas.
Aproximo-me temeroso de ti. Creio que és uma deusa: NÊMESIS, senhora do equilíbrio e da medida, inimiga dos excessos.
Quando um homem da Terra era demasiado feliz, via crescerem-lhe terras e riquezas, e tinha em torno de si braços, lábios de amor, coroas de glória e alegrias somente, Nêmesis aparecia.
Vinha lenta, com seu passo lento, sem rumor.
Mas ao homem-da-Terra fugiam-lhe riquezas, alegrias.
Perdia amor, glória e riso.
És Nêmesis, sem dúvida.
Eu era são.
Alegre, confiante, corajoso.
Mas Nêmesis aproximou-se de mim, com seu passo lento, muito lenta.
Depois partiu.
Doenças.
Cansaços.
Desconsolos.
Ainda todo o final de dezembro estive de cama.
Venho agora da fazenda onde repousei 10 dias.
Mas será mesmo Nêmesis?
Que és deusa, tenho certeza disso: pelo teu porte, pela tua inteligência, pela tua beleza.
Mas a deusa que reprime o excesso dos prazeres?
Não creio.
Tua recordação só me inunda de alegria e suavidade.
És antes um consolo que um pesar.
A verdadeira, eterna Nêmesis, são as horas implacáveis que passam dia e noite, dia e noite, sol e escuridão.
Estou nos meses da escuridão.
Foi a fraqueza que me fez pensar que eras tu Nêmesis.
Perdão.
Estou a teus pés, de joelhos.
Mais uma vez: perdão.
Espero tua carta longa, contando coisas breves de Paris.
Já estou a imaginar a lindeza do meu Picasso.
Obrigado.
Dize-me alguma coisa da Arte.
Já estás trabalhando?
Pintas muito?
Recebeste Klaxon n° 7?
Adeus.
Mário de Andrade
A Negra
Em Paris, Tarsila foi aluna do renomado pintor Fernand Léger.
Quando terminou de pintar essa tela, o impressionou tanto que ele a mostrou para todos os seus alunos, dizendo que se tratava de um trabalho excepcional.
Temos nessa pintura, elementos cubistas no fundo da tela e ela também é considerada precursora da Antropofagia na pintura d a artista.
Essa negra de seios grandes, fez parte da infância de Tarsila do Amaral, pois seu pai era um grande fazendeiro, e as negras, geralmente filhas de escravos, eram as amas-secas, espécies de babás que cuidavam das crianças.

Carnaval em Madureira -
Tarsila transfere a Torre Eiffel de Paris para o Rio de Janeiro com a intenção de registrar suas lembranças de viagem e do tempo que viveu lá, assim como podemos encontrar também o famoso dirigível e as pedras da fazenda que ela nasceu para recordar sua infância e suas experiências vividas até então, tudo em Madureira, um bairro boêmio e reduto do famoso carnaval carioca.

Declarou Tarsila sobre uma de suas obras mais famosas: "A Cuca está na brasilidade, na nossa cultura. Inventei a Cuca, como a imagino. Misturei vários animais de nossa fauna e usei cores que, antes desta fase de pintura, não usava. Desaconselhavam que eu usasse estas lindas e vivas cores: vivas e fortes." Continua… "Estou fazendo uns bichos bem brasileiros que têm sido muito apreciados. Agora fiz um que se intitula A Cuca. É um bicho esquisito, no mato com um sapo, um tatu e outro bicho inventado."

O Vendedor de Frutas -
Este quadro remete-nos para um mundo lírico do país tropical abundante em frutos e paisagens amenas.
Esse pequeno barco que está atravessando o oceano carrega muitos símbolos, como os frutos da terra, que significa a abundância que temos nesse imenso país.
O personagem retratado em primeiro plano, com seu grande chapéu, é o símbolo do trabalho do campo.
Em sua forma e cor, faz rima com os abacaxis e grandes laranjas.


- A Lua -
Observando essa pintura, nota-se que os elementos da natureza como a lua e o cacto estão pintados de modo estilizados, assim como o resto toda a composição nos remetem aos sonhos e devaneios da pintora.

- CARTÃO POSTAL - Nesta tela de 1929, vemos a lindíssima cidade do Rio de Janeiro que é o maior cartão postal do Brasil. O macaco é um bicho Antropofágico de Tarsila que compõe essa bela obra.




FASE NEO PAU BRASIL
A partir dos anos de 1950, Tarsila retoma a temática de sua fase Pau Brasil, quando produziu "A Fazenda", e seguiu com lindas pinturas características a esse período.
"Sou profundamente brasileira e vou estudar o gosto e a arte dos nossos caipiras. Espero, no interior, aprender com os que ainda não foram corrompidos pelas academias". - Tarsila do Amaral


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