Pintura a óleo retratando Tarsila do Amaral em tons pastéis, com elementos modernistas e influências da arte europeia.
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Tarsila do Amaral: Biografia, Formação e o Despertar Modernista

A

Arthur

Curadoria Histórica

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Tarsila do Amaral é uma das artistas mais importantes do modernismo brasileiro.

Nascida no interior de São Paulo, Tarsila foi uma figura central na renovação da arte brasileira do século XX.

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Suas obras, como Abaporu e Antropofagia, são marcadas por cores vibrantes e formas que retratam a cultura e a identidade brasileiras.

Além de pintora, ela foi desenhista e tradutora, grande influente na arte e na sociedade brasileira.

Primeiros Anos e Início na Arte

Tarsila do Amaral nasceu na cidade de Capivari no dia 01 de setembro de 1886, interior de São Paulo.

Considerada por muitos, uma mulher a frente de seu tempo.

Elegante e refinada, era neta de grandes fazendeiros paulistas, porém enfrentou rejeição dentro da própria família.

Uma das principais representantes do Modernismo brasileiro, Tarsila do Amaral fez a perfeita combinação entre as especificidades da nossa cultura e as novas possibilidades poéticas abertas pelas vanguardas no início do século passado.

Seu 1º quadro foi “Sagrado Coração De Jesus” que pintou aos 16 anos.

Nota-se a presença das cores fortes já prematuramente.

Tarsila iniciou sua pintura, influenciada pelo conservadorismo com que o modernismo, do qual ela mesma se tornaria mestra, rompeu mais tarde.

A Viagem a Paris e o Modernismo

Em 1917, ela começou a estudar pintura com o renomado artista Pedro Alexandrino.

Seu interesse pelo modernismo foi iniciado pela visita à exposição individual da pintora Anita Malfatti na “Exposição de Pintura Moderna” em dezembro de 1917.

Foi nesse encontro que as duas artistas se conheceram e transformou-se em uma amizade de longas datas.

Em 1920, Tarsila viajou para Paris, onde matriculou-se na Académie Julian, fundada pelo pintor e professor Rodolphe Julian, estudando lá até 1921.

Voltou para o Brasil em 1922, logo após a conclusão da Semana de Arte Moderna.

Tarsila não participou diretamente da Semana de 22, mas se concretizou nas artes plásticas ainda na década de 1920, pela demanda formulada pelos líderes do grupo modernista.

Já conhecera a amiga Anita Malfatti e ambas trocavam correspondências, onde Anita a mantinha informada de tudo.

No Brasil, ela conheceu através de Anita alguns dos organizadores da Semana de Arte Moderna, especialmente Oswald de Andrade, Mário de Andrade e Menotti Del Picchia.

Posteriormente, foi convidada a integrar o movimento e juntos formaram o Grupo dos Cinco.

A intenção principal do grupo era promover a cultura brasileira através da arte moderna, evitando estilos tipicamente europeus.

O Manteau Rouge de Tarsila

Quando pintou seu célebre Autorretrato de 1923, Tarsila fez questão de eternizar não apenas suas feições, mas o seu lugar no mundo.

O deslumbrante casaco vermelho que a envolve na tela foi criado por Paul Poiret, um dos mais importantes estilistas da alta-costura francesa da época.

A peça funciona como um forte símbolo da artista: uma mulher cosmopolita, dona de uma elegância magnética, que transitava com naturalidade pela vanguarda de Paris e olhava os mestres europeus de igual para igual, sem nunca perder sua essência.

Em dezembro de 1922, Tarsila retornou a Paris, onde estudou com André Lhote na Académie Lhote.

Além disso, ela também estudou brevemente com Albert Gleizes e Fernand Léger.

Durante esse período, teve contato com os movimentos das vanguardas européias como o cubismo, o futurismo e o expressionismo, estilos que lhe acrescentaram muito conhecimento e serviram para mais tarde, enriquecer a sua obra.

Ela logo percebeu que, embora o Cubismo tivesse seus benefícios, ajudando os artistas a sair das formas da arte acadêmica, finalmente seria destrutivo.

Portanto, enquanto ela não desistira do cubismo, lutou para desenvolver um estilo próprio, influenciada principalmente por Fernand Léger, seu professor durante esse processo.

Capa do livro Tarsila do Amaral: A modernista

A profundidade biográfica de Tarsila revela as nuances de uma mulher que transitou entre a tradição cafeeira e a vanguarda europeia para fundar uma estética genuinamente brasileira, onde indicamos a leitura do livro ilustrado aqui .

O Retorno ao Brasil e o Despertar das Cores

Em dezembro de 1923, Tarsila retornou ao Brasil e com Oswald de Andrade, e o amigo francês Blaise Cendrars começaram a viajar pelo país, visitando o Rio de Janeiro durante seu famoso Carnaval.

Essa viagem trouxe-lhe inspiração para pintar a tela ‘Carnaval em Madureira’ e outras obras desse mesmo período.

Do Rio, viajaram para Minas Gerais, onde a artista teve o prazer de redescobrir as cores vibrantes que amava quando criança.

Além disso, as casas rústicas e as igrejas antigas capturaram sua imaginação, mergulhando mais profundamente em sua herança brasileira, lentamente, ela começou a descobrir suas raízes.

A Paleta de Minas

A caravana de 1924 pelas cidades históricas mineiras — acompanhada por Oswald, Mário de Andrade e pelo poeta franco-suíço Blaise Cendrars — foi um rito de passagem visual.

Longe dos ateliês de Paris, Tarsila redescobriu a luz do seu próprio país.

As fachadas coloniais, as igrejas barrocas e a simplicidade popular devolveram à pintora o que ela mesma chamava de "cores caipiras".

O azul puríssimo, o rosa violáceo, o amarelo vivo e o verde cantante, tons que na academia eram considerados de "mau gosto", ganharam as telas.

Essa redescoberta cromática seria a alma de sua fase Pau-Brasil, uma celebração vibrante e sem vergonha da nossa própria estética.

Durante suas viagens pelo Brasil, Tarsila fez muitos esboços, que mais tarde se tornaram a base de muitas de suas pinturas.

As cores eram sempre vibrantes, algo que ela redescobriu durante essa turnê.

Ela também desenvolveu interesse pela industrialização e seu impacto na sociedade brasileira, o que podemos observar em suas pinturas relacionadas com à cidade de São Paulo.

As Três Fases: Pau-Brasil, Antropofágica e Social

A obra de Tarsila está dividida em três fases: Pau-Brasil, Antropofágica e Social

Na sua primeira fase, a Pau-Brasil, a pintora rompia completamente com todo o conservadorismo e passou a encher de formas sua pintura.

As obras desse período, dá início em 1924, com temas tropicais , onde a artista exalta a fauna, flora, as máquinas e tudo o que está ligado à modernidade urbana que contrastavam com a riqueza e diversidade do Brasil da época.

A segunda fase, a Antropofágica, foi idealizada pelo seu marido na época, Oswald de Andrade.

Nesse momento eles buscavam digerir influências estrangeiras, que eram comuns à época, para que a arte feita por eles tivessem feição mais brasileira.

Tarsila pinta um quadro e presenteia a Oswald o qual deram o nome de Abaporu  - palavra de origem indígena que traduz "homem que come carne humana".  Para os modernistas o significado seria para dar sentido de que eles iriam "digerir"ou seja, aproveitar do conhecimento das técnicas estrangeiras e aplicá-las aqui, mas sem perder a nossa tradição, fazer no novo algo bem brasileiro.

Com essa pintura da artista de 1928, inaugura-se o importante movimento antropofágico dentro do modernismo.

O Dicionário de Tarsila

A palavra que batizou a tela mais famosa do Brasil não surgiu do nada.

Para dar nome à figura solitária de pés imensos, concebida como um presente de aniversário para Oswald de Andrade, Tarsila recorreu a um antigo dicionário de tupi-guarani.

Ao unir os termos aba (homem) e poru (que come), ela deu vida ao "homem que come gente".

Não no sentido literal, mas na metáfora genial que inspiraria o Movimento Antropofágico: a ideia de devorar a cultura europeia para digeri-la e transformá-la em uma arte puramente nacional.

A terceira e última grande fase é a Social, que culmina com a sua ida a Paris, onde trabalha como operária em uma construção, após passar pela União Soviética.

A artista não estava mais casada com Oswald de Andrade, romperam relação o que terminou em divórcio em 1930.

Em 1933, a partir do quadro Operários, a artista inaugura uma fase de criações voltadas para os temas sociais da época e a situação dos trabalhadores.

Em Segunda Classe, Tarsila explora as diferenças com uma expressão que emociona o observador.

Painéis e os Últimos Anos

Tarsila pintou dois painéis em sua carreira, ambos da década de 50.

Em 1954, finalizou Procissão do Santíssimo, realizado para as comemorações do IV Centenário da Cidade de São Paulo.

Em 1956, realizou para a Editora Martins outro painel, com o título Batizado de Macunaíma.

Embora o tema compreenda várias questões de interesse da artista, esta pintura é considerada distanciada do restante de sua obra, em razão dos tons contrastantes e sombrios, bem como da estilização das figuras, dos detalhes e da composição.

Para entender o restante desta jornada, continue no nosso próximo artigo: Tarsila do Amaral: Obras Icônicas, Legado e a Fase Pós-Antropofágica.

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